Uma correição extraordinária do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran) deverá investigar irregularidades na Ciretran de Ituverava. A determinação foi do diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior - Deinter-3, de Ribeirão Preto, Anivaldo Registro. A suspeita é que uma rede formada por funcionários da delegacia daquela cidade e despachantes “esquentava” carteiras de habilitação e retirava multas e pontuação, que eram jogadas para o prontuário de pessoas mortas.
Durante quase dois anos o grupo agia na região vendendo carteiras de habilitação falsas, mudando categorias e eliminando a pontuação da carteira de motoristas infratores. Utilizavam a senha de um delegado de polícia de Ituverava, licenciado por questões de saúde, para entrar no sistema do Detran e “legalizar” a documentação.
Registro não quis comentar o assunto, mas confirmou que “o caso é muito grave” e que está pedindo a correição extraordinária para acabar logo com o caso. “É o único problema que temos na região”, disse.
O esquema começava com os despachantes que captavam clientes infratores e cobravam, no caso das multas, até 60% do valor que deveria ser pago. Com a via do usuário em mãos, levavam a funcionários da delegacia de Ituverava que entravam no sistema do Detran utilizando a senha do delegado-afastado, Carlos Roberto Rodrigues, que acabou falecendo.
Para tirar multas e pontuação o grupo cobrava, em média, R$ 300,00. Carteiras falsas chegavam a R$ 2 mil.
Grupo usava nomes de motoristas mortos
Os fraudadores localizavam nomes de pessoas mortas que as famílias ainda não tinham dado baixa na documentação e transferiam as multas para o prontuário do morto. Outras irregularidades foram encontradas em carteiras de habilitação “falsas” e mudanças de categoria realizadas de forma fraudulenta.
O grupo agia mudando, por exemplo, de categoria ‘C’ para ‘E’. Na carteira e no sistema informatizado do Detran, tudo estava legalizado. Porém, nas pastas onde ficam arquivadas as provas e testes dos motoristas, armazenadas na Ciretran local, não existia documentação sobre a mudança.
Suspeitos podem ter falsificado 500 CNHs
Estima-se que 500 habilitações falsas estejam em circulação. O delegado Wilson dos Santos Pio confirmou o caso e disse que o processo está na corregedoria da polícia. Afirmou que três funcionários foram removidos de departamento e vários motoristas foram identificados.
Ele relata que os responsáveis estão sendo indiciados em crime de corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica e estelionato. Confirmou que encontrou irregularidades originadas em Ituverava, de prontuários nas cidades de Aramina, Igarapava, São Joaquim da Barra e Brasília.
Fonte: Clipping DENATRAN
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