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Mortes de motociclistas crescem 83% e já representam 25% do total

30/01/2008

Governo admite reinserir no código proibição da circulação de motos no corredor entre carros

O trânsito brasileiro está matando cada vez mais motociclistas. O número de mortes de motociclistas subiu 83% de 2002 a 2006, quando passou a representar 25% das vítimas de acidentes fatais de transporte no País. O total de casos chegou a 6.829 em 2006, ano em que 5,5 milhões de motos circulavam no Brasil, conforme o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros. Em acidentes com carros morreram 7.440 pessoas, mas a frota de automóveis chega a ser três vezes maior. O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luís Paulo Telles Barreto, disse que o governo pode proibir que motociclistas circulem entre as faixas de carros.

“Os pedestres continuam sendo as principais vítimas do trânsito (morreram 9,4 mil, em 2006), mas as mortes de motociclistas aumentaram”, avaliou o pesquisador Julio Jacobo Waiselfizs. Barreto atribuiu esse crescimento ao aumento do número de motocicletas em circulação - que subiu para 7,6 milhões no fim do ano passado. “Sei que 2007 foi o ano recorde de venda de motos no Brasil.”

Barreto admitiu que a autorização dada pela lei para que os motociclistas circulem entre as faixas de carros fez crescer o número de acidentes. Antes do Código de Trânsito Brasileiro, dez anos atrás, a lei proibia motoqueiros de passarem entre os carros. Segundo o secretário, essa é uma regra que o ministério estuda mudar no pacote de ações contra a violência no trânsito, a ser apresentado amanhã.

De 1994 e 2006, as mortes por acidentes de trânsito cresceram 19%. Mas como a população cresceu mais, a taxa de mortes por 100 mil habitantes diminuiu em 4,3%. A maior parte da queda foi entre 1998 e 2000, quando o número de mortes foi o menor nesses 12 anos. Reflexo direto da aprovação do código, que tornou as multas mais pesadas. Mas, a partir de 2000, as mortes voltaram a subir. Os dados mostram pequena queda em 2006, mas, de acordo com Waiselfisz, é cedo para saber se essa é uma tendência.

O município com a maior taxa de homicídios por acidentes de trânsito no País fica em São Paulo. Barra do Turvo tem uma taxa média de 273,4 mortes por 100 mil habitantes. Com 7,6 mil habitantes, a cidade foi parar no topo da lista porque a BR-116, uma das mais perigosas estradas do País, atravessa o seu território. No caso da segunda colocada, Peixoto de Azevedo, o índice reflete a queda do avião da Gol, em setembro de 2006, que deixou 154 mortos.

Fonte: O Estado de SP

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